Papa diz que compreende quem abandona a Igreja ao ser questionado sobre os escândalos de pedofilia
O Papa Bento XVI afirmou hoje compreender quem abandona a Igreja católica, ao ser confrontado com os escândalos de pedofilia, no início de uma visita de quatro dias à Alemanha natal, onde é contestado.
Posso compreender que perante tais informações, sobretudo para aqueles que estão próximo dos afectados, uma pessoa diga: já não é a minha Igreja (...) não posso voltar a esta Igreja, declarou Bento XVI em resposta às perguntas do jornalistas que o acompanhavam na viagem entre Roma e Berlim.
Dezenas de milhares de católicos alemães, e também protestantes, pediram formalmente para serem retirados dos registos destas Igrejas, abaladas por casos de padres pedófilos.
O Vaticano disse ser provável a realização de um encontro entre Bento XVI e as vítimas, tal como aconteceu em outros países.
Depois de ser conhecida a agenda do Papa, a imprensa alemã avançou que aquele encontro poderá ocorrer na sexta-feira ou no sábado, dias menos preenchidos que hoje, em Berlim. Pouco cristã e tradicionalmente contestatária, a capital alemã deverá ser a etapa mais delicada da visita.
No avião, Bento XVI disse compreender a contestação. É normal numa sociedade livre marcada por uma forte laicização. Reconheço-o e não há nada a dizer quando se exprime de forma civilizada. Respeito aqueles que se exprimem, declarou.
Um colectivo de associações, crítico do papa, espera reunir 20.000 manifestantes enquanto o Papa discursa no parlamento federal (Bundestag), onde uma centena de deputados ameaçou boicotar a primeira intervenção de Bento XVI num Parlamento.
Durante o dia, o papa vai encontrar-se separadamente com o Presidente da Alemanha, Christian Wulff, católico divorciado, a chanceler Angela Merkel, protestante e filha de um pastor, e o presidente da câmara de Berlim, Klaus Wowereit, homossexual católico.
À noite, Bento XVI celebra uma missa no estádio olímpico de Berlim, onde os Jogos Olímpicos de Hitler em 1936 pretenderam glorificar a raça ariana. Cerca de 70.000 católicos deverão assistir à cerimónia.
Na sexta-feira, o papa estará em Erfurt (Turíngia, centro) para um dia ecuménico: Martinho Lutero estudou na cidade e ali iniciou a reflexão que originou a Reforma Protestante. No sábado e no domingo, Bento XVI vai encontrar-se em Freiburgo (Bade-Wurtemberg, sudoeste) vários elementos de uma Igreja católica agitada pela contestação.
Esta viagem é a terceira à Alemanha enquanto Papa, após as Jornadas Mundiais da Juventude em Colónia em 2005, logo a seguir à eleição de Joseph Ratzinger, e à visita à Baviera natal em 2006.
O Papa manterá 20 encontros e pronunciará 18 discursos durante as três etapas desta visita, excepcionalmente preenchida para um homem de 84 anos.
A deslocação de Bento XVI a este país que conta cerca de um terço de católicos e igual número de protestantes é aguardado sem grande visível fervor, enquanto em 2005 a eleição do primeiro papa alemão em mais de 500 anos foi festejada como um triunfo nacional.
Fonte:sicnoticias
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