Chico Xavier: o mito
Há 100 anos nascia um homem que faria brasileiros de todos os credos e religiões acreditar na vida após a morte e que mudaria a vida de muitas famílias desesperadas que perderam entes queridos.
Seu nome era Francisco Cândido Xavier, mais conhecido como o mito Chico Xavier. No último 2 de abril, ele completaria 100 anos, e mesmo após sua morte, até hoje chegam cartas endereçadas a ele na cidade de Uberaba-Mg, no centro espírita onde atendia.
Foi educado na religião católica, freqüentando a igreja e se confessando com o padre da cidade. E mesmo após se tornar um médium conhecido, Chico Xavier não fazia distinção entre religiões ou crenças. "A melhor religião do mundo é o amor", pregava sempre. Por isso, era querido não só por espíritas, mas também por fiéis de outras denominações religiosas.
Chico psicografava cartas e mensagens que ele nunca assumiu a autoria, dizia que só era o carteiro que recebia as cartas e as entregava aos destinatários. Foram mais de 450 livros, todos ditados por pessoas já falecidas e psicografados por ele. “Os livros não me pertencem. Não escrevi nada” afirmou Chico Xavier. Ele não assumiu a autoria de nenhum, por isso, nunca aceitou o dinheiro arrecadado com a venda dos livros. Se tivesse ficado com os direitos autorais, Chico teria levado uma bolada: 2,1 milhões de cruzeiros por ano, o suficiente para comprar 160 fuscas na época e equivalente a R$ 670 mil hoje.
Ele não foi o primeiro a psicografar cartas do além, mas suas cartas continham indícios que serviam como prova irrefutável de que realmente eram escritas por espíritos: 93% delas continham dados familiares ou informações confidenciais que o médium supostamente não teria acesso e 35% das cartas tinham a assinatura muito parecida com a do autor da mensagem. Chico psicografou cerca de 10 mil cartas de mortos para as famílias.
As cartas de Chico até serviram de provas em 3 julgamentos. Em um deles, os pais do rapaz morto entregou uma carta psicografada pelo Chico que dizia que a morte teria sido acidental e o réu não teve culpa. Foi a principal prova para a absorção do réu.
Seu primeiro livro continha 256 poemas de ilustres poetas mortos como Cruz e Sousa, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves, o que gerou muita polemica, sobretudo de como uma pessoa que estudou só até a quarta serie do primário produziu obras razoavelmente fiéis ao estilo dos autores que as assinavam.
Alguns achavam que tudo era uma farsa, mas outros defendiam: “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, merece quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras” declarou Monteiro Lobato.
Chico Xavier ficou conhecido em todo o país depois das duas aparições no programa Pinga Fogo, em 1971, na extinta TV Tupi. O programa promovia um debate, entre jornalistas e um convidado, a respeito de temas polêmicos na época, como bebê de proveta, controle de natalidade e homossexualismo. Nesse dia foi um recorde na audiência: 75% dos televisores paulistas ficaram ligados no programa até as 3 horas da manhã. A entrevista rendeu retransmissão para 4 emissoras em rede nacional. Nascia ali o mito Chico Xavier.
Apesar de tudo, Chico tinha uma saúde frágil. Descobriu uma catarata no olho direito, sofreu com pressão alta, hérnia, um tumor na próstata e uma pneumonia nos dois pulmões.
Chico morreu em 2002, aos 92 anos, cumprindo uma profecia sua. “Só vou morrer no dia em que o Brasil todo estiver feliz”. E morreu mesmo. O médium teve uma parada cardíaca no dia 30 de junho, horas depois de o Brasil ganhar a copa do mundo de futebol. Cerca de 120 mil pessoas foram ao seu enterro, formando uma fila de quatro quilômetros e 3 horas de espera. Ele morreu quando todos estavam felizes.
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